Le Corbusier e a coleção LC
Como um arquiteto que pensava a casa como "máquina de morar" chegou, com Charlotte Perriand e Pierre Jeanneret, a poltronas que continuam atuais quase cem anos depois.
Charles-Édouard Jeanneret nasceu na Suíça, em 1887, e adotou em Paris o nome com que ficou conhecido: Le Corbusier. Arquiteto, urbanista, pintor e escritor, ele defendia uma ideia que resumiu numa frase de 1923: a casa é uma máquina de morar. Não se tratava de frieza. Era a vontade de que cada elemento da casa tivesse uma função clara, fosse bem resolvido e pudesse ser produzido com os meios da indústria.
Três autores para uma coleção
Os móveis que hoje chamamos de coleção LC nasceram no fim dos anos 1920, no ateliê da rua de Sèvres, em Paris. Le Corbusier assinou os projetos com o primo, o arquiteto Pierre Jeanneret, e com Charlotte Perriand, que havia entrado no ateliê em 1927 e trouxe a experiência com o aço tubular. Em 1929, o trio apresentou as peças no Salon d'Automne, em Paris, dentro de uma proposta chamada "equipamento interior de uma habitação".
A palavra "equipamento" diz muito. Para eles, uma poltrona não era um objeto de decoração, e sim um instrumento para uma posição do corpo: sentar para conversar, recostar para ler, deitar para descansar.
A estrutura à mostra
O traço comum às peças é a separação entre estrutura e estofamento. Na poltrona LC2, o aço cromado forma uma espécie de moldura por fora, e as almofadas ficam simplesmente apoiadas dentro dela. A estrutura, que num sofá tradicional se esconde sob o tecido, aqui aparece e organiza o desenho.
A LC2 tem proporções mais contidas. A LC3 é mais larga e mais baixa, pensada para um sentar mais relaxado. No Brasil, as duas ficaram conhecidas como "masculina" e "feminina", apelidos de mercado que não vêm dos autores. A mesma lógica gerou os sofás de dois e três lugares.
Para cada posição, uma peça
A LC1 é uma poltrona leve, de encosto basculante, que acompanha o movimento de quem senta. A LC4 é a chaise longue: uma lâmina que se apoia numa base e pode ser inclinada, permitindo escolher o ângulo do corpo. Juntas, elas mostram a ideia do grupo: em vez de uma única peça que faz tudo, várias peças precisas.
Por que continuam atuais
Quase um século depois, a coleção continua sendo produzida e copiada no mundo inteiro. Parte da explicação está no desenho sem ornamentos, que conversa tanto com apartamentos contemporâneos quanto com casas de outras épocas. A outra parte está nas proporções: são peças que foram pensadas a partir do corpo, e isso não envelhece.
Numa sala, a LC2 funciona bem em par, frente a frente, com uma mesa baixa entre elas. O sofá de dois lugares cabe em espaços menores do que se imagina, porque a estrutura é esbelta e deixa ver o chão por baixo.
No acervo da Paris 7
As peças da coleção LC que estão no nosso acervo são produzidas sob encomenda, inspiradas no desenho original e nas medidas de referência, com estrutura em aço e revestimentos que você escolhe no orçamento. Em cada página, a ficha traz as medidas e os acabamentos disponíveis.




